Dois Amigos
O Encontro Colégio Heart of Angel. Um garoto italiano de olhos azuis, cabelos negros parava. Olhava fixamente o prédio com certa nostalgia. Acabava de completar 15 anos. Estava feliz. Preparava-se para entrar e cumprimentou os amigos. Entrou no prédio de arquitetura gótica e se encaminhou para a torre dos dormitórios. Seu nome era Giovanni. Giovanni deixava sua mala em cima da cama. Chegara a pouco no quarto onde ficaria. Adorava aquela escola. Por mais que não tivesse nada de especial nela, desde quando chegou a esta escola se sentiu menos só. Sentou-se na cama e começou a escrever em seu diário. Novidades em sua vida não deveriam ficar sem registro. Olhou em uma pequena mesa, das duas que se encontravam no quarto. Era uma suíte com duas camas. Como chegou primeiro, o moreno colocou suas coisas no armário perto da maior. Deixaria que o outro garoto usasse a sua cama, se fosse maior que ele. Mas, para um garoto de sua idade, achava difícil. Pois Giovanni era muito alto. Tentaria arranjar um novo amigo. Quem sabe um de seus velhos amigos não estaria lá para ser seu companheiro. Ainda cheio de idéias, sentou-se e começou a escrever em seu diário. “Primeiro dia de aula... Quanto tempo eu não vejo essas pessoas. Estou esperando meu colega de quarto. Estudo nessa escola a mais ou menos uns cinco anos e nunca tive um colega de quarto. Sempre ficava em um dos quartos sozinho. Mas, nunca tive problemas com isso... Acho que até gosto... Mas a espera pode ser boa. Vai que eu conheço um garoto legal que possa ser meu amigo e me ajudar nos exames. Mesmo que eu não ache que vá precisar, os professores disseram que esse ano era mais difícil que os outros. Mas, algo me diz que não é só isso que esse ano reserva”. Esperou por algum tempo para ver se alguém chegava, porém a espera foi em vão. Resolveu se arrumar. Tirou os óculos e caminhou para o banheiro, indo tomar um banho. Não escutou baterem na porta e logo quando saiu, viu um garoto com belos olhos verdes e cabelos loiros. Tinha quase sua altura, embora fosse menor. Ele sorria. Por mais estranho que parecesse, Giovanni sentia algo estranho vindo dele. Ele pode sentir algo diferente naquele olhar. Ficou envergonhado de estar na mesma sala que aquele garoto. E ainda mais de toalha. Ele lhe deu um sorriso, coberto de vergonha. O garoto respondeu. -Olá... Seja... Bem vindo... Eu vou me trocar no banheiro – disse Giovanni pegando seu uniforme e se dirigindo ao banheiro. -Não há com o que se preocupar – respondeu o garoto com forte sotaque francês – Não me preocupo de ver outro garoto se trocar perto da mim... Meu nome é Jacques. Jacques Pelier. O seu é? -Gi...Giovanni... Giovanni Piazzo. – o garoto gaguejava assustado com o outro -Porque está tão assustado? Por acaso minha presença não o agrada? -N-não... Não é... Não é isso... É que eu não... Esperava que você viesse e eu estivesse arrumado... -Puxa... Fiquei preocupado... Não queria assustar meu novo colega de quarto... Sem pensar duas vezes, Giovanni correu para o banheiro. Lá dentro, se perguntava porque ficou tão assustado com a beleza do jovem do lado de fora. Notou que pelo nome e pelo sotaque, ele deveria ser francês. Mas algo naquele garoto lhe chamava a atenção. Ele era muito branco. Não que Giovanni não fosse também. Mas, sentiu uma estranha atração por ele. Não sabia a procedência disso... Sempre se interessou por meninas, porém aqueles olhos verdes e penetrantes o fizeram pensar muitas besteiras. Sua cabeça girava. Ele não sabia como, mas ao vestir a roupa de baixo notou que estava ligeiramente excitado. Aquele garoto mexia com ele. Ao sair do banheiro percebeu que ele estava de costas para ele. Pegava as coisas em uma bonita e grande mala, que nem se comparava a sua simples e média. Os cabelos eram longos, em contraste com os seus, que atingiam pouco mais que a altura dos ombros. Sentiu uma estranha vontade de abraçar o outro. Reprimia seus pensamentos, lembrando que tinha que guardar seu diário dentro bolsa com seus cadernos, deixando-o sempre trancado e guardando a chave escondida atrás de um colar que usava constantemente. Depois de fazer isso viu que o outro o olhava com o mesmo sorriso. Um sorriso franco e meigo. Ele quase se derreteu. Procurou disfarçar e lhe deu alguns avisos que já havia recebido. -Jacques... Procure se arrumar que teremos uma pequena apresentação... As aulas na verdade começam na segunda que vem... Teremos algumas atividades, que os professores fazem questão de que nós devemos comparecer. -Tudo bem amigo... Se é que posso te chamar assim... -Cla-claro... Quer dizer... Nós teremos que ficar juntos por um ano pelo menos e é bom que nós tenhamos um bom relacionamento né... – e sorria completamente sem graça -Ha Ha... Você é engraçado Giovanni... Não precisa se justificar para mim... Eu creio que esse ano será bem divertido para nós... Com essa frase, Giovanni sentiu seu sangue gelar. Parecia que ele podia ler seus pensamentos, que naquele momento andavam bem impróprios. Jacques foi até o banheiro. Giovanni podia escutar o som do chuveiro ligado e ele cantava uma bela canção. O moreno do lado de fora se sentia hipnotizado por aquela linda voz. Ele tentava se concentrar. Talvez não fosse importante a sua presença. Talvez ele pudesse ficar só naquele quarto, enquanto o francês iria para a festa. E assim foi. Porém, ao chegar da festa, ele insistia em conversar. Não teve outro remédio. Conversaram até tarde. Mas Giovanni não dormiu direito naquela noite. A presença do outro garoto era algo que o incomodava de forma estranha. Por fim, no meio da madrugada seu corpo se rendeu ao cansaço. Dormiu profundamente e teve um sonho no mínimo estranho com seu companheiro de quarto. Eles passeavam juntos por um grande campo de flores. No segundo dia, Giovanni quase não notou, mas já eram por volta de dez horas da manhã. Levantou-se. Pegou uma caneta e se pôs a escrever em seu diário. “Estranhei o primeiro dia. Não esperava encontrar com alguém tão diferente. Gostei do meu companheiro de quarto. Não sei se foi isso, a emoção de ter alguém pra conversar. Mas, não sei. Eu tive um sonho estranho com ele. E adorei. Será que eu estou me interessando por meninos? Que bobagem. Eu gosto de garotas. Espero que conheça pessoas novas! E que isso saia da minha cabeça”. O moreno trancava seu diário e o colocava dentro de sua bolsa. Assim que abriu a porta, viu que Jacques o observava. -Esperei você acordar. Já estou aqui tem algum tempo. Mas, não queria te alarmar. E como eu acho que você iria preferir se trocar a sós, eu não te acordei. Fiz errado? -N -não... Eu não ligo. Só gosto de um pouco de privacidade. É que nos anos anteriores eu dormia na parte onde cada aluno tem seu quarto. -Ah. Eu achei que você não gostasse de mim. -Não! - percebendo que havia quase gritado essa pequena palavra, que naquele momento significava muito, pensou em como usar as palavras da forma certa – Er... Na verdade... É... Eu gostei muito de ter alguém pra poder conversar e tudo mais... -Então está bem. Eu gosto disso também. Então? Você me mostra a escola? Meio envergonhado, o moreno dizia que sim. O Francês o segurava pela mão e iam andando. Aos poucos, Giovanni mostrava todas as áreas. Desde a área esportiva, com suas quadras e piscinas, até a parte da biblioteca e dos refeitórios. Mostrou a torre onde ficavam as meninas, e voltaram para a torre onde os meninos ficavam. Nisso sempre conversando e se entendendo. Giovanni notou que o loiro gostava de muito de várias coisas que ele também gostava. Eles se davam bem. Naquela noite, Jacques o batizaria com um apelido carinhoso. -Boa noite Gio... -Boa noite Jacques. –respondia com certa dificuldade. Mais uma vez ficou acordado até o cansaço o vencer.

Comments
P.S historia muito bos
muito boa fic, tudo escrito direitinho ^^
parabens
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